MPB

Todos os álbuns resenhados nesta categoria: 19

Liricamente é um álbum que fala de pessoas, de coisas e de sentimentos que todos vivenciamos em nossas jornadas individual e coletiva: 3) James Dean é uma fantasias sobre uma personagem que pode ou não ser o famoso artista. 1) Angela B pode ser baseada numa história real. 4) Désoléé Rock uma das mais dramáticas do disco, narra uma decepção amorosa em forma de tango. 5) Ventania, particularmente me remeteu à Vento no Litoral, do saudosa grupo oitentista… Continue lendo


Com seu primeiro trabalho autoral, intitulado Kátia Freitas ou, simplesmente, K, a artista conseguiu tocar o seu público de uma forma muito expressiva.  O disco foi produzido por ela mesma em parceria com o guitarrista Cristiano Pinho, que também atuou como arranjador e diretor musical. Dona de rara sensibilidade musical e textual, suas letras e composições estão impregnadas de uma poesia introspectiva e crítica que doam ao álbum um toque sutil de simplicidade e beleza. E isto… Continue lendo


Neste disco, Rosa assina 10 das 13 composições. E, além do tradicional companheiro, Fernando de Oliveira, faz parcerias inéditas e certeiras com o poeta Paulo César Pinheiro e com outros grandes compositores, como Sérgio Natureza, Ivan Lins e Vitor Martins. Com ares de seriedade e de delicadeza, mescla em perfeita harmonia ambientes melancólicos e bucólicos transportando o ouvinte por diversas paisagens sonoras durante aproximadamente 50 minutos. Na… Continue lendo


Aline ouviu muita música brasileira, que é paixão de seu pai. Nelson Gonçalves, Gonzaguinha, Cartola, Chico Buarque, Vinicius de Moraes… “Meu irmão, por outro lado”, lembra ela, “só ouvia música internacional, então cresci ouvindo e tocando de tudo um pouco… MPB, pop, rock. Na minha adolescência me apaixonei por bandas como Radiohead, Metric, Portishead, que têm um som mais denso e introspectivo. Acho que daí vem a influência dos climas… Continue lendo


Alucinação foi lançado num ano conturbado em todos os sentidos. Instabilidade político-econômica, inflação astronômica, desigualdades sociais nos quatro cantos do país e toda a sorte de obstáculos para qualquer rapaz latino americano. O cenário era obscuro (talvez só encontre paralelo neste ano de 2021) e nada promissor para um artista como Belchior. Sua visão de mundo se debruçava sobre seu tempo, mas sua forma de compor não se encaixava nos padrões da… Continue lendo


Um LP que começa com “O Mundo É um Moinho” já merece palmas logo de cara. Essa composição, uma das mais bonitas da música brasileira, ganha um tom delicado com a flauta no início e o violão fazendo o acompanhamento de forma leve, mas a letra é bem triste e fala sobre uma decepção amorosa. Regravada aos montes por aí, nenhuma bate a interpretação original. Depois a faixa ganha força da presença de mais instrumentos, porém o tom continua seguindo a sobriedade das… Continue lendo


Refazenda colocou Gilberto Gil em outro patamar, musical e pessoal. Ao redescobrir a si mesmo, ele acabou apresentando um trabalho impecável e fundamental para entender de onde o cantor veio e para onde ele estava indo. A turnê do disco durou até o início de 1976, quando ele uniu-se a Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia para no projeto Doces Bárbaros… Continue lendo


O forte arranjo abre “Deus Lhe Pague”, primeira faixa do disco. Chico Buarque traz um tipo de sonoridade diferente daquela em que ficou conhecida no início de carreira, acompanhado de uma melodia soturna e uma letra forte do início ao fim – um truque para falar da ditadura. A seguinte, a ótima “Cotidiano”, virou uma das assinaturas do cantor ao longo dos anos. Ela [conta a história] de um[a] casal cansado da rotina, mas que não larga justamente pelo hábito de estar… Continue lendo


Em 1975, Gal havia feito uma turnê junto com Dorival Caymmi, apresentando-se em três capitais brasileiras. Além disso, a composição “Modinha para Gabriela”, de Caymmi, era um sucesso na abertura da novela “Gabriela”, da Rede Globo. Nesse clima, Gal acaba por lançar em março de 76 um disco só com composições de total autoria de Caymmi. O álbum é uma espécie de songbook da obra do baiano (nos moldes em que Ella Fitzgerald revisitava autores lá fora), algo… Continue lendo


Após ter gravado a duo com Chico Buarque um disco ao vivo no Canecão (RJ), em comemoração aos seus dez anos de carreira na gravadora Philips, Maria Bethânia retornou ao estúdio sob direção de Caetano Veloso e Perinho Albuquerque, para dar sequência ao seu trabalho. Apesar de nunca ter participado de movimentos de contravenção cultural (não quis ser musa do tropicalismo, nem da bossa nova e muito menos participou da marcha contra a guitarra… Continue lendo


Passarim é a grande afirmação de Jobim dos anos 80, surgindo numa época em que suas preocupações se voltavam cada vez mais para o Planeta Terra. A música-título é uma das criações mais assombrosas [no melhor sentido da palavra] de Jobim, um grito de dor pela destruição da floresta tropical brasileira que ressoa na memória por horas. Também, nessa época, Jobim havia retomado a turnê com um grande grupo de amigos e familiares, e eles carregam uma grande carga aqui, com muitos… Continue lendo


Não sendo ainda um ídolo popular, quando gravou este disco, Fagner já era uma figura importante na indústria fonográfica, um bom vendedor de discos no plantel da então CBS. Depois do intrincado e belo Ave Noturna, gravado com o Vímana e outros músicos de prestígio, Fagner resolveu fazer um LP de sotaque roqueiro. Com instrumentação majoritariamente elétrica e a presença igualmente eletrizante de Robertinho do Recife nas guitarras, o disco funde o canto mouro e as… Continue lendo


Gravado no final de 1972, este disco inaugura os registros do chamado Pessoal do Ceará em LP. Antes, Fagner já havia lançado 2 compactos pela RGE e sido incluído na série Disco de Bolso que vinha encartado no jornal O Pasquim, com a faixa “Mucuripe”. O disco tem todos aqueles atributos de manifesto inaugural. Com autoria de faixas irmãmente dividida entre Ednardo e Rodger (então um músico bissexto que, como nosso consultor Mairon Machado, era professor de Física… Continue lendo


“Molhado de Suor”, um disco de intensa fusão roqueira e hábil entrelaçamento de instrumentos acústicos e elétricos, inesperadamente alcançou o grande público, atingindo 100 mil cópias vendidas. Com a anárquica participação de Alceu e trupe no Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, com o rock agalopado “Vou Danado Para Catende”, a Som Livre se apressou em relançar o disco com a inclusão da faixa. As sonoridades contemporâneas, providenciadas por parte da turma… Continue lendo


Para este artigo, isolamos a canção Respeitem Meus Cabelos, Brancos1, lançada em 2002, pelo cantor e compositor paraibano Chico César. A simbiose entre as representações da identidade negra e a música popular são apontadas por diversos autores, que sublinham a importância deste artefato cultural como eixo de negociação da luta dos negros contra o racismo em todo o mundo. Stuart Hall situa a música, ao lado da corporalidade e do “estilo”, um dos três elementos… Continue lendo


Líricas (2000 / MZA / 24,99) é o trabalho mais contundente e sólido de um artista que estava trinando seu caminho. Com músicas realmente tristes ou sentimentais demais, o álbum tem em seu cardápio mensagens de amor, de ternura, de compaixão, do abstrato e do longínquo caminho que leva a separação de entes queridos (no caso de sua avó na canção mais triste de todo o disco) e amores impossíveis…. Continue lendo


Falange canibal é o encontro musical de muitos amigos, tendências e nações. É fruto direto do exercício da troca, do tal ‘livre trânsito’, uma zona franca!”, conceituou Lenine no já mencionado texto do encarte da edição em CD do álbum lançado pela gravadora Sony BMG em 2002 e gravado no segundo semestre de 2001 na ponte Brasil-Estados Unidos… Continue lendo


Nesse sentido, estabelece uma relação entre a beleza e o medo. Contrapondo-os e distinguindo-os segundo uma perspectiva individual que afeta a todos de formas diferentes. Será que essa relação é possível? Se sim, onde está o limite entre o que é belo e o que temeroso? Se não, onde está a poesia nesse contexto. Moska deixa a interpretação livre, mas implicitamente sugere que o limite é uma linha imaginária que depende da visão de mundo de cada um e que a poesia existe como ponte… Continue lendo


Quando Cássia morreu em 29/12/01, me senti viúvo. Tinha quase que acabado de fazer 25 e sua morte me tocou na mesma forma com a uma pessoa da família. Na verdade, Cássia era da família: estava comigo nos momentos mais difíceis de minha vida, me aconselhando, me encorajando e literalmente cantando para mim. Hoje, precisamente aos 17 dias do mês de outubro de 2021, havendo postado 99 resenhas sobre os discos que mais amo na minha vida e, pensando em dar um tempo… Continue lendo